"O SILÊNCIO NÃO COMETE ERROS"
Lá vai ele numa sexta à tarde, 16 de agosto de 1996, exatamente na sua sesta — tinha pegado as estradas para Belo Horizonte — e segurando as pálpebras para não dormir. Tranquilo e sereno, desde quando nascera, em Santo Antônio do Grama, MG, com limpos e escassos cem reais no bolso, sem a mínima lembrança de ter conferido se documentos do carro e pessoais sobravam nos bolsos, bolsas, porta-luvas. Sonolento, sim, mas tinha o compromisso de um curso ligado à radiologia, era ele um médico que estreava em Itabira o ultrassom. Um rapaz elegante, bem vestido, boa aparência, pediu-lhe carona. O motorista não hesitou, abriu-lhe a porta do veículo, cumprimentou-o, estendendo a mão. Saíram conversando sobre tudo — política, futebol, até polícia, que a partir daquele instante havia passado a ser o assunto do momento. “POR FAVOR, PARE!” Estas foram as palavras do “passageiro”, que continuou educado, era um moço alegre e polid...